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Um grande exemplo do
que é torcer no futebol
Leandro Martins
O título desta coluna não se refere, desta vez, à torcida do Flamengo, que tantas vezes lotou o Maracanã este ano e empurrou o time rumo à Libertadores de 2008. As letras grandes lá em cima fazem menção, sim, aos torcedores do Corinthians.
Dizer que a queda para a Segunda Divisão ocorreu por uma série de fatores, com erros grotescos dos dirigentes da administração atual e da anterior, que a lavagem de dinheiro da mal-fadada parceria tumultuou o ambiente, que muitos jogadores não têm qualidade e que o time fez por merecer tal situação é óbvio demais. O foco aqui será outro. O torcedor alvinegro.
Quem não é torcedor do Corinthians, odeia o time com todas as suas forças. O Timão tem o maior índice de rejeição do Brasil. Mas os corintianos, a chamada Fiel torcida, deram, em cada partida deste Campeonato Brasileiro, um exemplo do que é torcer no futebol. Os apaixonados, sofreram, choraram, xingaram, mas, em todo instante, apoiaram a equipe durante os confrontos. Mesmo sabendo que o time era sofrível. Claro que os protestos (sem violência, é claro!), são válidos, desde que depois das partidas. Afinal, enquanto atuam, os jogadores estão trabalhando e ninguém é (ou deveria ser) xingado durante sua jornada de serviço.
O fato mais surpreendente, no entanto, estaria por vir. Nem a queda fez com que os torcedores voltassem sua fúria contra a equipe. Pelo contrário. É um dos raros casos de torcida que sabe contra quem deve protestar. Contra os cartolas. Quando o jogo terminou e os corintianos, atordoados, desesperados e boquiabertos viram o time ser rebaixado, eles começaram a gritar “sou louco por ti, Corinthians”, “Timão eô” e “Corinthians, Corinthians”, repetidas vezes.
Talvez um dos maiores exemplos de amor ao time do coração e a certeza de que o elenco, seja ele formado por quem for, nunca será abandonado por aqueles que o amam. Enquanto isso, outras torcidas rivais vaiam o seu próprio time mesmo antes de o jogo acabar ou ainda no seu início, aumentando a instabilidade dos atletas em campo. Casos de Palmeiras e Santos, principalmente. Dizem que torcida não ganha jogo. Mas duvido que não aconteça algo dentro de cada atleta quando ouve seu nome em coro e vê a festa na arquibancada. E acontece o efeito inverso quando ele se vê vaiado e sente-se mal na partida.
Entre outras coisas, é por isso que o quase centenário Sport Club Corinthians Paulista deve voltar, em breve, à Primeira Divisão do futebol brasileiro. É por isso, também, que a mística que envolve o time sempre conheceu e respeitou a força de um conceito que consolidou-se, ao longo dos 97 anos de existência do clube, como a mais verdadeira das afirmações. O Corinthians não é um time que tem uma torcida; é uma torcida que tem um time.