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Leandro Martins
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DivulgaçãoPor falar em
arbitragem...

Leandro Martins

Já que o foco dessa semana é arbitragem (seja em Palmeiras x Rio Preto ou em Flamengo x Botafogo), nada mais justo com o amigo leitor/internauta do que mostrar como é o procedimento do sorteio de árbitros na Federação Paulista de Futebol.

Fui até a sede da FPF, no ano passado, acompanhar o sorteio para os campeonatos da entidade naquela ocasião: Copa FPF, Paulista Segunda Divisão, Copa Energil C e Torneio dos Renegados. O prédio é muito bonito e bem cuidado. Fui recebido muito bem pelos funcionários da casa que não me negaram qualquer auxílio.

É neste globo que ficam as bolinhas que determinarão quem vai apitar o quê na rodada - Foto: Leandro MartinsO Estatuto do Torcedor obriga que os departamentos de arbitragem das federações estaduais e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) realizem um sorteio antes de cada rodada para saber quem será o comandante de cada jogo. E foi isso que acompanhei lá.

Por volta das 17h, a comissão de arbitragem se reuniu no auditório da Escola de Árbitros Flávio Iazetti, no segundo andar. Para concorrerem ao sorteio, alguns árbitros são pré-escalados. “Isso acontece para darmos oportunidade a todos os profissionais do nosso quadro”, explicou o presidente da comissão de arbitragem da FPF, Coronel Marcos Cabral Marinho.

A entidade conta com 495 árbitros e, por isso, cada um deles fica de duas a três rodadas fora do sorteio. Assim, não são todos os “juízes” que participam do procedimento, que acontece da seguinte maneira.

1° passo: são formados grupos com duas partidas e dois árbitros em cada um (por exemplo: grupo de jogos – São Bernardo x União Mogi; Ferroviária x Monte Azul; grupo de árbitros: Wilson Luiz Seneme e Paulo César de Oliveira).O Coronel Marinho (e) participa de todos os sorteios na FPF - Foto: Leandro Martins

Um dos jogos tem número par e o outro, número ímpar. O mesmo ocorre com os “juízes”. Esses grupos são montados de acordo com o perfil da partida e o estilo de apitar de cada “profissional”. Por exemplo, um jogo mais decisivo exige um árbitro mais rígido.

2° passo: A seguir, é sorteado o jogo e, na seqüência, o árbitro que vai comandá-lo. Por exemplo: a bolinha da urna saiu com número par. Então o jogo com número par será o primeiro a ter o árbitro definido. Depois, o árbitro é sorteado da mesma maneira. Em menos de 20 minutos, foram escolhidos os profissionais que comandariam as partidas dos quatro torneios.

Segundo o árbitro Élcio Paschoal Borborema, integrante do quadro da FPF (11° no ranking) e também da CBF, não há motivos para desconfiança. “O Coronel Marinho moralizou a arbitragem no futebol paulista. Depois que ele assumiu o comando do departamento, as coisas melhoraram muito. Ficaram bem mais claras e cristalinas. Ele é um homem muito honesto”, analisou. “Tem gente que ainda desconfia dele só porque é coronel da polícia militar e não ex-árbitro. É uma bobagem”, acrescentou.

O sorteio é público e pode ser acompanhado por quem quiser assistir. A sede da FPF fica na Rua Federação Paulista de Futebol, 55, Barra Funda, São Paulo. Para mais informações, basta ligar para 2189-7000.



Categoria: Boca no trombone
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DivulgaçãoCartão
Vermelho

Leandro Martins

 

FICHA TÉCNICA

Cartão Vermelho

CARVALHO, Edílson Pereira de
Editora: Mundo Editorial
Número de páginas: 156
Edição: São Paulo, 2006

 

 

 

 

Já que o assunto que tomou conta da imprensa no último final de semana foi a arbitragem de Flamengo 2 x 1 Botafogo, a ESCRITA DA BOLA desta quarta-feira aproveitou o “gancho” para trazer um livro que tem tudo a ver com os homens do apito.

Escrito pelo ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho, que participou da máfia dos sites de apostas (divulgada na mídia como Máfia do Apito), Cartão Vermelho é um livro esclarecedor que conta de forma simples como algumas situações ocorrem nos departamentos de arbitragem da Federação Paulista de Futebol (FPF) e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Segundo Edílson, as circunstâncias atingem desde trocas de favores e árbitros “protegidos”, até a corrupção generalizada. Para se ter uma idéia, ele mesmo foi afastado da CBF por “terem descoberto” que apresentara diploma falso do Ensino Médio. Misteriosamente (e isso o livro não esclarece), o documento apareceu como que por encanto sobre sua mesa para que ele pudesse se tornar um árbitro do futebol paulista. Sem o certificado regularizado, isso não seria possível.

Para o autor, Armando Marques, ex-chefe da Comissão de Arbitragem da CBF, era um "câncer" e foi um bem bani-lo da entidade. Edílson ainda esclarece o porquê topou entrar no esquema do site de apostas, tentando humanizar a atitude errada que tomou, o que não justifica seu ato condenável.

Ele ainda fala sobre as instalações da cadeia onde ficou preso e de sua constituição familiar. Um livro realmente interessante, que ajuda a entender algumas questões que envolvem a arbitragem brasileira. Já que ESCRITA DA BOLA retorna somente daqui a 15 dias, aproveite a leitura!



Categoria: Escrita da Bola
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DivulgaçãoPor falar em foco...
a decisão da Taça Guanabara

Leandro Martins

Continuando a conversa sobre o desvio de foco, o de domingo foi um dos maiores que já vi em minha carreira como jornalista esportivo e como torcedor que sou desde criança. O circo montado pelo técnico, jogadores e dirigentes do Botafogo atingiu o objetivo proposto. Conseguiu ofuscar (pelo menos para a imprensa e não para os torcedores) o brilho da conquista da Taça Guanabara pelo Flamengo.

Lúcio Flávio foi expulso na final da Taça Guanabara; botafoguenses reclamaram - DivulgaçãoO foco ficou mais no choro e no desequilíbrio emocional dos botafoguenses do que no belo clássico do futebol, disputado diante de mais de 80 mil espectadores, vencido com raça pelos flamenguistas, aos 46 minutos da etapa final. Nunca havia visto um time que tenta se reerguer tão abalado psicologicamente como o clube da Estrela Solitária.

A começar pelo comando máximo, liderado pelo presidente Bebeto de Freitas que ameaçou até a renunciar ao cargo. A situação estendeu-se ainda para o técnico Cuca e todo o elenco, principalmente Túlio, que chegou a chorar em campo quando o Alvinegro sofreu o empate e pediu para deixar o gramado (em vez de jogar bola para tentar vencer!).Jogadores do Flamengo comemoram o gol de empate para desespero dos alvinegros - Divulgação

O árbitro não foi um primor, mas não vi todo esse prejuízo ao Botafogo que aqueles ligados ao grupo alegaram. O zagueiro argentino Ferrero, por exemplo, merecia ser expulso. Nem a torcida chiou tanto. As reclamações, aliás, só teriam fundamento se, dentro de campo, os jogadores sentiram que o árbitro estava de má fé, falando e mostrando clara intenção de prejudicar o time de General Severiano. Sim, pois também não estávamos dentro do gramado para sentir o clima do jogo e a postura da arbitragem.

A verdade é que o trabalho de Bebeto tem sido extremamente bem-feito, com honestidade, humildade e seriedade. Segundo ele, afastou-se por não ser político e não reunir-se com dirigentes de federações e clubes, o que faria com que, nas decisões, os árbitros pendessem para o outro lado.

A atitude de Bebeto (a de não ser tão político) é louvável. Para mim, os presidentes deveriam se preocupar somente com os times que dirigem e não com os outros nem com a Federação. A outra atitude não. Afastar-se significa fraqueza, num momento em que o time dá mostras de que pode ser muito grande novamente. Bateu o “poderoso” Fluminense na semifinal. E pode chegar longe no Brasileirão. Do jogo, ninguém falou. O Flamengo foi melhor e mereceu vencer. Este é, com certeza, um dos mais bem-acabados exemplos do que é desviar o foco. Sinceramente, não era para tudo isso.



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DivulgaçãoOs "inteligentes"
deslocadores de foco

Leandro Martins

Existem pessoas que assumem seus erros. Outras, não admitem a culpa e preferem “tirar o seu da reta”, popularmente falando. A primeira opção chama-se humildade e honestidade. A segunda, deslocamento de foco. Infelizmente, essa é a alternativa mais presente no futebol. São poucos os profissionais envolvidos nesse esporte que admitem suas falhas. A arrogância não deixa. Quase sempre, o deslize é do árbitro, já que é a figura futebolística que não faz parte do elenco de nenhuma equipe.

Emerson Leão é um dos maiores deslocadores de foco do futebol - DivulgaçãoOs reis do desvio de foco (entre os treinadores), apenas para citar alguns, são Emerson Leão, Paulo César Gusmão, Oswaldo de Oliveira e, em menor grau, Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari. Pelos jogadores, Vampeta, Souza, Túlio "Maravilha" e tantos outros também se utilizam do mesmo artifício. No entanto, parece que um novo integrante está se esforçando para fazer parte deste rol.

Mano Menezes, ao observar o placar eletrônico do Morumbi no jogo entre Corinthians e Portuguesa, no meio da semana passada, percebeu o gol de empate do Rio Claro contra o Palmeiras. No mesmo instante, o técnico pediu comemoração da torcida, que estava entediada com o péssimo futebol apresentado pelo Timão diante da Lusa. Um claro desvio de foco de um time sem criatividade e que pouco produz, além de uma dose de média com a Fiel.

De Emerson Leão, qualquer coisa que se fale nesse sentido é redundante. Sempre que a equipe que o ex-goleiro dirige perde, é porque o árbitro interferiu. Quando vence, o homem do apito foi bem, por mais que tenha errado em favor de sua equipe. Aliás, existem cenas que jamais veremos no nosso esporte bretão. Por que será que nunca um técnico reclama quando o árbitro favorece seu time? Você seria capaz de imaginar a situação?Mano Menezes está cavando seu espaço entre aqueles que gostam de desviar o foco para encobrir falhas - Divulgação

“Ei, juiz! Você está louco?! Não foi nada esse pênalti que você marcou para a gente! Que absurdo!” Seria mesmo hilário. Outros como Muricy Ramalho e o próprio Vanderlei Luxemburgo, na maioria das vezes, preferem (corretamente) falar do jogo, que é a essência do futebol. Melhor assim. Fica mais transparente e menos ridículo.

Afinal, o torcedor é inteligente e sabe filtrar a crítica séria de um “choro de perdedor”. Fica o alerta para o amigo leitor/internauta. Preste a atenção no discurso dos técnicos e jogadores e não caia em qualquer isca que lhe jogarem. Você verá que, pelo menos 50% do que dizem, é para encobrir quando jogam mal, engolem frangos, perdem pênaltis, escalam ou substituem errado.



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