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Boca no trombone
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O campeonato que 'derrubou' os comentaristas Leandro Martins
Quem gosta de futebol e acompanha de perto o esporte mais popular do Brasil sabe que a função do jornalista esportivo é analisar criteriosamente as equipes e tudo o que acontece em seu entorno como questões políticas, financeiras, administrativas, entre outras.
Só assim, poderá desenvolver um trabalho de boa qualidade, sem ficar restrito apenas ao campo e aos lances de jogo. Também é papel do analista de esportes tentar projetar o futuro de uma equipe na competição o que, muitas vezes, é possível e outras, nem tanto.
No entanto, o Campeonato Brasileiro da Série A de 2008 ficará na história como um dos mais inesquecíveis de todos os tempos. Isso porque quase todos os comentaristas (todos mesmo!) erraram os prognósticos. Dizem que o jornalista não pode ficar só comentando sobre resultado rodada após rodada mas, neste ano, não teve como isso não ser feito.
Num dos certames mais equilibrados de todos os tempos e que só será decidido na última rodada, aconteceram coisas “malucas” demais para serem previstas. O Flamengo, que no início da competição era líder com cinco pontos de vantagem, caiu vertiginosamente e hoje pode nem se classificar para a taça Libertadores.
O Grêmio, que tinha em certo momento 11 pontos de frente sobre o São Paulo, perdeu a vantagem e ficou, até a rodada do domingo retrasado, cinco pontos atrás do Tricolor paulista. Este, por ironia do destino, estava até o último domingo, com a mão na taça do tricampeonato inédito e hoje já deixa dúvida em seus torcedores para a última rodada.
Não tinha, realmente, como prever algo nesta competição, a não ser quem brigaria pelo título e pelas primeiras posições. Nisso, quase todos nós, comentaristas tivemos consenso. Só falhamos ao apontar o Internacional (que tinha time para brigar lá em cima) e Fluminense, que abriu mão do Brasileiro pela disputa da Libertadores. E ao não incluir na lista o Grêmio, que incomodou desde o início.
No mais, sempre apontamos Cruzeiro, Flamengo, Palmeiras e São Paulo como pleiteantes aos primeiros postos. Mas, o fato é que não restou nenhum comentarista “de pé” nessa história. E, com freqüência, presenciamos a única edição do Campeonato Brasileiro que, até hoje, fez os comentaristas terem medo de fazer previsões, principalmente, para as últimas rodadas.
O equilíbrio do nível técnico contribuiu e muito para isso, é verdade, mas nunca se viu nada parecido na crônica esportiva brasileira. Mais uma prova de que, além de ser a competição mais equilibrada do planeta, o Brasileirão é, no formato atual, intenso e emocionante.
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O mestre do TRABALHO Leandro Martins
Não é à toa que o sobrenome do atual técnico são-paulino rima com trabalho. Muricy Ramalho é, disparado, o treinador que mais trabalha no futebol nacional. Sempre disposto, Muricy treina quase sempre em dois períodos. Concentra os jogadores mais cedo e evita badalações da imprensa. Ou seja, um homem sério e de respeito.
Conhecido por seu jeito “ranzinza” de lidar com os repórteres, o técnico tricolor é humilde. Nunca acha que já ganhou antes da hora e sabe que o futebol é um dos poucos esportes que podem efetivamente pregar peças. Por isso, treinar sempre em dois períodos e blindar o grupo são as melhores coisas que poderia fazer.
Muita gente fala que o São Paulo só faz gol de bola parada. Um grande número de tentos foi marcado assim, é verdade. Mas é preciso ressaltar que essas situações, tanto no ataque como na defesa, são exaustivamente trabalhadas durante a semana por Muricy.
Ele acredita em trabalho e não em sorte. Encaixou taticamente o time e faz o simples. Explica para os jogadores como atacar com a bola e como se defender sem a bola (se possível, com os 11 homens atrás da linha da gorduchinha). Segundo o próprio treinador, se esforçar e conquistar títulos é obrigação quando o clube disponibiliza a jogadores e comissão técnica a intitulada melhor estrutura do Brasil.
Por isso, Muricy Ramalho é hoje o melhor treinador em atividade no futebol nacional. Posição de respeito. Respeito de um tricampeão inédito e, já que o negócio é a rima, com mérito. Ressalte-se também que, para se treinar com boa qualidade em dois períodos quase todos os dias da semana, a preparação física precisa ser de alto nível.
Méritos para Carlinhos Neves, que faz o time voar em campo. E, com certeza, um time bem postado taticamente precisa correr menos, o que minimiza o desgaste da equipe. Minha única dúvida quanto a Muricy é, caso assuma a Seleção Brasileira, como fará para blindar o esquadrão mais badalado do mundo? Conjecturas à parte, só resta aplaudir o mestre do trabalho, Muricy Ramalho.
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Luxa não acompanhou a mudança no Brasil Leandro Martins
A torcida (ou melhor, uma parte dos marginais das organizadas) do Palmeiras não tem razão ao ir ao aeroporto protestar contra o time, muito menos agredir o treinador. Também não deve pichar os muros do CT da Barra Funda, ainda que, em um dos dizeres, esteja uma constatação da verdade: “Luxemburgo = decadência”.
O péssimo momento na carreira do técnico Vanderlei Luxemburgo se explica, entre outras coisas, pelo próprio trabalho que desempenha no campo. Não quero aqui me ater aos motivos extra-gramado como sua frustração em não assumir a Seleção Brasileira em 2006 (após a decepção da Copa) ou em não permanecer no futebol europeu, depois que foi demitido do Real Madrid.
Para mim, a razão pela qual Luxemburgo vem decaindo é muito simples. Mesmo com toda a inteligência que possui (prodigiosa, por sinal), ele começou a se tornar um técnico ultrapassado. Tudo porque, ao que tudo indica, deixou de estudar e não acompanhou a mudança ocorrida no futebol brasileiro.
Luxa é daqueles técnicos à moda antiga, que gosta de zagueiro habilidoso, que sabe sair jogando (tanto é que escalou erradamente Martinez na posição) e volantes com as mesmas condições. Os times de Vanderlei sempre são "leves" e costumam bailar em campo. No entanto, de três anos para cá, a estrutura tática do futebol brasileiro mudou.
Ela se enrijeceu. Para ser competitivo hoje, no Brasil, é preciso que uma equipe tenha zagueiros altos e fortes, destruidores de jogadas (o zagueiro-zagueiro, como dizia Emerson Leão), além de volantes igualmente portentosos fisicamente e que, se não souberem sair jogando com maestria, que pelo menos não errem passes.
O Palmeiras hoje vem sendo escalado de forma errada. Não tem nada dessa nova estrutura tática. Nem zagueiros fortes e inteligentes, nem volantes troncudos. Luxemburgo sempre escalou seus times ofensivamente. Um erro, em um campeonato atualmente marcado pela boa postura do setor defensivo.
Em que pesem as vendas de Henrique ao Barcelona, da Espanha, e de Valdívia ao futebol árabe, o comandante alviverde poderia não atrapalhar e escalar o time de maneira mais consistente (palavrinha mágica e que está na moda). O melhor seria se aproximar dos modelos que hoje têm sucesso como São Paulo e Grêmio.
Com a bola, ataques certeiros, rápidos e objetivos. Sem a gorduchinha (salve, Osmar santos!), marcação implacável, com nove ou dez jogadores atrás da linha da bola. Marcos, Élder Granja, Gustavo, Jeci (ou Gladstone) e Leandro; Pierre, Sandro Silva, Evandro e Diego Souza, Kleber e Alex Mineiro seria, na minha opinião, a formação menos ruim que o limitado (sim, limitado) elenco do Palmeiras tem para levar a campo.
Luxa tem errado na escalação. E nas substituições. Parou de estudar. E foi ultrapassado na reta final por Muricy Ramalho, justamente quando Dunga balança no comando da Seleção Brasileira.
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Tática X Técnica: a mudança do futebol brasileiro Leandro Martins
A atual tabela de classificação do Campeonato Brasileiro da Série A possibilita a constatação de uma mudança na estrutura do futebol nacional nos últimos três anos. Desde que o Corinthians conquistou o título em 2005, os campeões de um dos torneios de clubes mais disputados do mundo têm se destacado mais pela boa atuação tática do que pela técnica.
Olhando para a classificação, vemos cinco equipes brigando pelo título. Porém, as duas primeiras colocações são ocupadas por times que não têm um elenco primoroso, mas são bem orquestrados taticamente. Casos de Grêmio e São Paulo. Este último, em particular, um primor na tática.
Mais atrás, em 3°, 4° e 5° estão os clubes considerados pela crônica esportiva como mais técnicos e com melhores elencos que os tricolores gaúchos e paulistas (com o que também concordo). Trata-se de Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras.
Assim, por que então eles estão atrás na tabela de classificação? A verdade é que não adianta lutar contra os fatos. O futebol brasileiro hoje é bem mais tático do que técnico. Os times nacionais tiveram de se europeizar por causa da falta de craques, típico material de exportação.
Sem atletas que decidam individualmente em lances geniais, os clubes foram obrigados a apostar na tática e no posicionamento para serem competitivos. Foi o que percebeu primeiramente o São Paulo e, agora, o Grêmio. Resultado, um bicampeonato aos tricolores paulistas e a liderança nesta edição para os gaúchos.
Nesta quarta-feira, acontece o jogo-chave da rodada. Cruzeiro x Grêmio, no Mineirão. Será o jogo da técnica contra a tática. Não digo que a técnica não possa vencer a tática. Mas será que a criatividade do jogador brasileiro mediano (já que os craques se foram) será capaz de superar a rigidez tática que hoje impera no Brasil? O que você, amigo leitor/internauta pensa?
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O algoz de Caio Júnior Leandro Martins
Desde que deixou de ser treinador do Cianorte para assumir uma posição de técnico bem qualificado no cenário futebolístico nacional, Caio Júnior tem encontrado uma pedra em seu sapato nas últimas duas edições do Campeonato Brasileiro. O Clube Atlético Mineiro.
Em 2006, Caio Júnior era técnico do Paraná clube. Com boa campanha, levou o tricolor paranaense à disputa da Taça Libertadores da América. Nesse ano, o Galo ainda estava lutando para voltar à Série A, depois do purgatório da Segundona.
No ano seguinte, o Alvinegro de Minas Gerais já havia retornado à elite do futebol nacional e Caio Júnior dera um passo mais largo na carreira. Assumiu o Palmeiras, com o intuito de ganhar um título e devolver a auto-estima aos jogadores e aos torcedores. Não conseguiu. Nem Paulista, nem Brasileiro.
No entanto, o técnico tinha uma missão. Classificar o time do Parque Antarctica para a mais cobiçada competição continental na América do Sul. Depois de vencer o Atlético-MG em Minas por 2 a 1, no turno, veio a última rodada, contra o mesmo Galo, em pleno Palestra Itália lotado, no returno.
O Palmeiras dependia apenas de si para ir à Libertadores. Bastava uma vitória em casa e os torcedores não teriam um ano para lamentar. Os palmeirenses não gostam de lembrar, mas a derrota por 3 a 1 em casa, diante do Galo, tirou qualquer esperança de uma temporada útil em 2007. De consolo, restou a queda do rival Corinthians para a Segunda Divisão. Algo mais comemorado do que a possível vaga no torneio sul-americano.
Este ano, mais uma vez o Atlético-MG atrapalha a vida (e a carreira) de Caio Júnior. No primeiro turno deste Brasileirão, empate em Belo Horizonte por 1 a 1. No returno, no último final de semana, derrota em pleno Maracanã por 3 a 0 justamente quando os rubro-negros vinham embalados.
Resultado: adeus, festa do título, proclamada aos quatro ventos pelo presidente flamenguista, Márcio Braga. Provavelmente, Caio Júnior vai continuar na Gávea no ano que vem.
Pelo menos para o estadual. Já correu nos bastidores até o boato sobre o retorno de Joel Santana. Verdade ou não, o atual treinador da equipe carioca precisa superar seu algoz pessoal que tem minado (ou bicado) as conquistas de seus objetivos. Vai ter de achar um meio de, literalmente, cozinhar o Galo, antes que vá parar na moela dele mais uma vez.
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Fernando sobre Aquino: 'lance foi inesquecível' Leandro Martins
O programa Esporte na Rede, da UPTV, recebeu, na última terça-feira (07/10), o volante Fernando, que já passou por Guarani, Marília, Palmeiras, Internacional, Botafogo, Avispa Fukuoka, do Japão e, atualmente, está no Santo André (confira a íntegra do bate-papo em www.uptv.com.br).
Aos 41 anos de idade, o jogador, com impressionante preparo físico, corre o campo todo durante os 90 minutos de jogo e mais os acréscimos. A crônica esportiva costuma brincar, dizendo que ele tem três pulmões. O que o atleta nega.
“Não, não tenho”, brincou. “Sou privilegiado de ter nascido com essa compleição física. Nem alimentação especial eu faço”, completou. Fernando disse que, no ano passado, pensou em parar, mas algumas pessoas o demoram da idéia.
“Pensei mesmo em me aposentar em 2007. Mas aí o diretor de futebol do Santo André, Sérgio do Prado, convenceu-me a jogar mais um ano. Ele é o grande ‘culpado’ por eu ainda estar atuando”, afirmou.
“Além dele, o meu filho também me incentiva a não parar. Quando se começa a jogar futebol, você imagina que vai agüentar até uns 35 ou 36 anos. Aí o tempo vai passando e você vai continuando... Nunca pensei em jogar até essa idade”, comentou.
Durante o programa, Fernando aproveitou para relembrar o lance mais polêmico e inesquecível de sua vida. Quando jogava pelo Palmeiras, em 2001, disputava a semifinal da Taça Libertadores contra o Boca Juniors, no estádio de La Bombonera.
Na ocasião, o então árbitro da partida, o paraguaio Ubaldo Aquino, deixou de marcar um pênalti claro cometido pelo goleiro argentino Abbondanzieri sobre o volante e, ainda por cima, deu cartão amarelo para o jogador alviverde. Mais tarde, por cometer outra falta, Fernando seria expulso não podendo enfrentar os xeneizes no jogo de volta.
“Foi um lance inesquecível. O torcedor do Palmeiras não esquece o que o árbitro fez com a gente. O Palmeiras tinha condições de conquistar aquela Libertadores”, disse.
Para a lambança ficar completa, o paraguaio ainda marcou um pênalti inexistente para o time da casa. A partida de ida terminou empatada por 2 a 2. Mesmo placar do jogo da volta, no Palestra Itália. O Alviverde paulista foi eliminado nos pênaltis e Boca foi campeão contra o Cruz Azul, do México.
Se depender dos admiradores, Fernando não encerra a carreira tão cedo. Os fãs querem que o atleta jogue até os 50 anos. “Meu contrato acaba em dezembro e vou conversar para ver o que faço. Ainda não tenho uma decisão tomada”, concluiu.
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Os 'eleitos' do Campeonato Brasileiro Leandro Martins
Em cima Já que a época é de eleições, nada melhor do que falar sobre os “eleitos” do Brasileirão 2008. Elegeram-se para brigar pelo título, no meu entendimento, cinco clubes. Pela ordem, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo.
Digamos que, se houvesse um segundo turno nas eleições para a conquista da taça (já que estamos verdadeiramente no segundo turno da competição), eu apostaria em Palmeiras e Flamengo, com menção honrosa para o São Paulo.
O Palmeiras, pelo melhor elenco que possui, incluindo a comissão técnica. O Flamengo, pelo montante de partidas em casa ou, se preferir, no Rio de Janeiro (sete, das dez restantes). E o São Paulo pela brilhante estrutura tática da equipe, embora o elenco não seja um primor.
E já que tocamos no assunto eleições, nada mais justo também que avaliar o desempenho dos times com relação às promessas no início do nacional. Palmeiras, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo agiram como bons políticos e cumpriram à risca o que prometiam para o Brasileirão deste ano. Estão disputando o título.
O Grêmio agiu como um político honesto e competente (tenho minhas dúvidas se isso realmente existe, mas enfim, não custa sonhar um pouco) e foi além do que seus eleitores esperavam. Com um elenco considerado mediano, está brigando pela ponta da tabela e pela taça. Resta saber apenas quem, no dia 7 de dezembro, colocará a faixa e tomará posse.
No meio Coritiba, Vitória, Goiás e Botafogo também respeitaram seus eleitores e desempenharam o papel que lhes cabia: integrar o pelotão intermediário e garantir a vaga na Copa Sul-Americana de 2009. Quem sabe, uma disputa de vez em quando para integrar o G-4 e sonhar com a Libertadores.
O Coritiba, por exemplo, prometia apenas permanecer na Série A e ficar no meio da tabela. Fez mais e hoje disputa também a almejada cadeira da Libertadores. Já Internacional e Sport mostraram ser do tipo dos políticos ruins (não vou utilizar o termo desonesto, pois ele não pode se aplicar a dois clubes desta grandeza e sim apenas aos políticos).
As duas equipes prometiam bem mais no Brasileirão, mas não cumpriram. O Inter, pelo elenco que tem, deveria estar na briga pelo título e não na modesta décima posição, com 42 pontos, 11 a menos do que os líderes Palmeiras e Grêmio.
O time pernambucano, por sua vez, também prometia mais aos seus eleitores (pelo menos, algo melhor do que a décima primeira posição, com 39 pontos), já que fora campeão da Copa do Brasil, no primeiro semestre, após bater o Corinthians na alegre Ilha do Retiro.
Lá embaixo... Atlético-MG, Santos, Figueirense, Náutico, Atlético-PR, Portuguesa, Ipatinga e Vasco cumprem aquilo que, não propriamente seus eleitores, mas os eleitores de outros clubes imaginavam. Disputam palmo a palmo, como o espaço no horário eleitoral gratuito da TV, a permanência na Série A.
Afinal, com tais elencos desestruturados, não se podia esperar outra coisa. De todas as equipes, a mais confiante na escapatória da Série B é justamente a lanterna. O Vasco, na pessoa do técnico Renato Gaúcho, afirma categoricamente que não vai cair. Parece uma daquelas promessas que você sabe que o candidato nunca vai cumprir. Você, torcedor vascaíno, acredita na redenção? Já recebeu seu santinho?
Por fim, um caso que considero à parte. O Fluminense. Esse sim enganou todo o eleitorado. Tanto os que votariam nele, como os que não digitariam seus números nas urnas. Aliás, se houvesse um número para o time das Laranjeiras nessas eleições, seria 02 para prefeito e 19276 para vereador.
Explico. O número do prefeito significa a “enganação” do então técnico Renato Gaúcho, que dirigiu a equipe em boa parte deste ano, quando disse que o Flu seria campeão da Libertadores e “brincaria” no Brasileirão. Brincadeira de mal gosto essa, hein! Só para esclarecer: 02, de segundo lugar (ou vice-campeão).
Já o número para vereador é a atual campanha no nacional, bem decepcionante para seus militantes e correligionários. Ocupa a 19ª colocação, com 27 pontos e conquistou apenas 6 vitórias. Pelo material humano que tem, não era para estar nessa situação. Pelo emocional dos atletas, sim.
Assim, finalizo com a pergunta: amigo leitor/internauta e hoje, excepcionalmente eleitor, você votaria em quem para ser prefeito do Brasileirão (título)? E quem elegeria cair para a Série B (talvez um impeachment, digamos assim)?
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A disputada zona do rebaixamento Leandro Martins
Honestamente, não me recordo de ter visto em nenhuma outra edição Campeonato Brasileiro uma zona de rebaixamento tão disputada. Digamos que, atualmente, oito times brigam contra (ou pela?) a zona da degola, caminho que leva à Série B.
Os críticos costumam afirmar categoricamente que times que mudam muito de treinador tendem a sofrer mais com a irregularidade na competição. De fato, não deixam de ter razão. A mudança constante no comando atrapalha a seqüência do trabalho e causa desequilíbrio.
Mas, pelo perfil das equipes que hoje integram a rabeira do Brasileirão, percebe-se que não é só isso. Na realidade, o principal motivo para que um clube integre a zona de rebaixamento é a qualidade do elenco que possui.
Elencos limitados e falta de investimento minam o trabalho de qualquer técnico. Analisemos os integrantes da zona do desespero na atualidade. A Portuguesa é o primeiro entre os quatro últimos. Tem 27 pontos e infinitas preocupações.
A Lusa teve três comandantes durante o nacional. Vágner Benazzi, Valdir Espinosa e Estevam Soares. Mas a limitação em seu elenco a empurra novamente para a Segunda Divisão, de onde acabou de sair no ano passado para retornar à elite, depois de quatro anos de espera.
O Atlético-PR, por exemplo, que hoje está fora da degola, mais treinadores do que a Portuguesa no Brasileirão. Ney Franco, Roberto Fernandes, Mário Sérgio e Geninho. Co-irmão lusitano da Portuguesa, o Vasco (26 pontos) também teve três treinadores. Começou o campeonato com Antonio Lopes, mudou para Tita e, agora, tem Renato Gaúcho como técnico.
Com o mesmo número de pontos da Portuguesa, o Ipatinga teve três treinadores no campeonato de 2008. Começou com Giba, mudou para Ricardo Drubscky e, por fim, está com Márcio Bittencourt.
Só para se ter uma idéia, o Botafogo, que é o sexto colocado, com 43 pontos, também teve três treinadores (Cuca, Geninho e Ney Franco), mas a melhor qualidade do elenco foi fundamental para a arrancada e a atual estabilidade da equipe carioca.
De todos, apenas o Fluminense tem uma situação peculiar. Teve apenas dois técnicos (Renato Gaúcho e Cuca), mas o emocional dos atletas, aliado à perda de bons jogadores como Thiago Neves, Gabriel, Dodô e Leandro Amaral, fez com que o time se afundasse no mar de lama da zona da degola.
Assim, defendo a tese de que, antes do treinador, quem realmente faz a diferença na campanha de uma equipe são os jogadores. É verdade que uma equipe não consegue ter 11 craques (ainda mais com o constante êxodo para o futebol europeu).
Nesse caso, alguns bons e médios jogadores, que tenham união entre si, garra e objetivos comuns, é mais relevante do que qualquer treinador para uma conquista. Seja ela qual for. O título, a vaga na Libertadores, na Sul-Americana ou a fuga do descenço.
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Os verdes que garantiram a emoção no Brasileiro Leandro Martins
A rodada do final de semana do Campeonato Brasileiro confirmou que a emoção vai perdurar até o final da competição. Na parte de cima e na parte debaixo da tabela. Na ponta, os grandes responsáveis pelo “novo” cenário foram os verdes Palmeiras e Goiás.
Surpreendemente, o Verdão de São Paulo derrubou o Cruzeiro em pleno Mineirão sem Kleber e Alex Mineiro – leia-se 65% do gols do time este ano. Apenas uma balançada de rede bastou. Diego Souza fez a diferença. Uma vitória heróica, que permitiu ao time do Palestra Itália manter as chances de título.
Isso graças ao outro verde. O Goiás, que bateu o Grêmio no próprio estádio Olímpico com (coincidência ou não) um gol... olímpico! Paulo Baier marcou direto na cobrança de escanteio. Era o empate, que depois se transformaria na virada por 2 a 1. Mais do que nunca, essa foi a cor da esperança no campeonato.
Esta rodada foi tão importante que pode ocasionar a mudança completa do panorama do Brasileirão em poucos jogos. O Grêmio terá três confrontos dificílimos contra Atlético-PR (fora), Internacional (fora) e Botafogo (casa).
Em contrapartida, o Palmeiras enfrentará o Vasco (casa), Náutico (fora) e Atlético-MG (casa). Não será surpresa se o time do Parque Antarctica assumir a liderança após esses jogos.
Na rabeira, nunca existiu um campeonato tão equilibrado como esse. É a primeira vez que vejo várias equipes que tanto podem entrar como sair da zona da degola em apenas uma rodada.
Todos os times que hoje integram a parte desesperadora da tabela nutrem esperanças de escapar e quem está do lado de fora, obviamente, não quer entrar de maneira alguma. Nesta rodada, os novos “inquilinos” foram Fluminense (este, velho conhecido) e Vasco (novo, mas que pode ficar até o final do “contrato” de aluguel).
Como eu sempre defendi, a fórmula de pontos corridos mantém sim a emoção no nacional. E isso acontece pelo extremo equilíbrio que tal formato proporciona, com muito perde-e-ganha. Ou alguém ousaria dizer o contrário?
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O verdadeiro técnico da Seleção Brasileira Leandro Martins
Não há como negar que o Brasil foi bem escalado por Dunga para a partida contra o Chile. O treinador teve a ousadia de fazer o que muitos técnicos têm medo. Colocou quatro jogadores ofensivos, sendo dois meias e dois atacantes.
O tradicional 4-4-2 foi ainda completado por dois volantes e, praticamente, quatro zagueiros, já que os laterais pouco apóiam. Confesso: eu gostei. Até porque os laterais brasileiros da Seleção, com exceção do Juan, não têm excelente nível técnico.
Por isso, é melhor que defendam mais e apóiem menos. No entanto, a questão que quero debater aqui é outra. Seria Dunga o verdadeiro treinador do time com o maior número de técnicos do mundo? A julgar pelas entrevistas que ele concede, a resposta é não.
Não sei se o ex-volante tem alguma dislexia ou dificuldade para entender as perguntas dos jornalistas, mas a realidade é que, quase nunca, ele as consegue responder a contento. Tem uma dificuldade brutal em concatenar o raciocínio. Por isso, torna-se lacônico. Resume as respostas em poucas palavras e, muitas vezes, faz de uma questão complexa algo simplista.
Bem diferente de seu auxiliar técnico, o ex-lateral Jorginho. Este, quando perguntado, passa as informações com precisão. Dominando bem as palavras, o ex-jogador da Seleção Brasileira explica com precisão como a comissão técnica pretende que o esquema tático se desenvolva em campo.
Explica também as condições dos jogadores e como pretende utilizá-los durante as partidas. Conclusão: o técnico do Brasil é o Jorginho! Não o Dunga. Confesso a você, amigo leitor/internauta, que é a primeira vez que eu vejo um auxiliar técnico saber mais que o treinador principal. Não só na parte tática, como também na Língua Portuguesa.
Para mim, Jorginho é mais experiente. E foi peça fundamental para que Dunga escalasse a Seleção da maneira como escalou. É claro que, uma comissão técnica que se preze deve trabalhar em conjunto.
Mas Jorginho, até agora, tem sido mais esclarecedor nas entrevistas, tem mostrado bom conhecimento tático, trata a língua portuguesa com carinho, como fazia com a bola tempos atrás (ao contrário de Dunga, volante que até era raçudo, mas tinha pouca técnica – será que o Ronaldinho ainda tira um sarro do chapéu que lhe aplicou naquele Gre-Nal?) e, além de tudo, é mais cordial.
Por isso, não tenho dúvidas em afirmar que o verdadeiro treinador da Seleção Brasileira atualmente é o que menos aparece e o que mais pensa.
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O campeonato da defesa Leandro Martins
É duro ter de constatar que o Campeonato Brasileiro da Série A tornou-se a “competição da defesa”. O êxodo de bons jogadores rumo ao futebol europeu não somente empobrece o certame nacional, como também faz com que as equipes mudem a maneira de jogar para disputá-lo.
Há pelo menos três anos, as jogadas tecnicamente bem executadas e os gols bonitos em abundância deram lugar às defesas fortes e bem montadas. Sem tantos atletas que fazem a diferença e decidem partidas em seus elencos, os treinadores começaram a apostar que, com um setor defensivo bem treinado e bem postado, os mirrados gols já serviriam para levar suas equipes às vitórias e aos títulos.
É a velha filosofia de que 1 a 0 é goleada. Foi assim que o São Paulo conquistou o bicampeonato do Brasileirão em 2006 e 2007. E é assim que o Grêmio pretende conquistar a edição de 2008. Há dois anos, o Tricolor paulista terminou com a melhor defesa e o melhor ataque. Marcou 66 gols e sofreu 32.
Em 2007, a história se repetiu, mas o setor defensivo foi muito mais evidenciado. O São Paulo teve apenas o nono melhor ataque da competição, com 55 gols marcados. Em compensação, nunca na história do Brasileirão se havia presenciado uma defesa tão espetacular. Apenas 19 gols sofridos em 38 partidas. Média de 0,5 gol por jogo.
O brilhante resultado serviu de exemplo para equipes que já costumavam ter defesas bem montadas desenvolverem ainda mais o setor. Calcado nesse princípio, o Grêmio tenta chegar próximo do que fez o Tricolor paulista no ano passado e aposta na boa defesa para ficar com a taça.
A equipe gaúcha tem o melhor ataque (40 gols, ao lado do Palmeiras) e a melhor defesa, com 16 gols sofridos em 23 partidas, cinco a menos do que a segunda melhor, do Botafogo, que viu suas redes balançarem por 21 vezes.
O técnico Celso Roth, que sempre teve a alcunha de “retranqueiro” pelos acompanhantes do futebol, acertou a defesa gremista sem se esquecer do ataque. Essa, sem dúvida, é a melhor receita para a conquista do Brasileirão.
Se não dá para apontar hoje o Grêmio como o virtual campeão nacional, pelo menos, é possível identificar na equipe as características do principal candidato ao título.
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Por que o Palmeiras não briga pelo título Leandro Martins
Apesar de ser o vice-líder do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras ainda não briga pelo título da competição. Por uma razão muito simples e bastante propagada: não vence compromissos fora de casa.
Mas qual é o motivo que leva o time a não bater os adversários em seus próprios domínios? No meu ponto de vista, o Palmeiras deixou de brigar pela ponta do Brasileirão quando sua parceira resolveu vender o zagueiro Henrique, espinha dorsal da defesa do Alviverde.
Henrique era, notadamente, o melhor defensor da equipe. A própria parceira pensou bem antes de negociá-lo com o Barcelona e tentou pesar a relação custo-benefício. Sem sucesso. Para piorar, teve o azar de David e Gustavo se machucarem no mesmo instante.
Jéci e Gladstone podem ser bons reservas, mas estão longe de darem a consistência necessária ao miolo de zaga do time do Parque Antarctica. O que não é motivo para alguns torcedores picharem os muros do clube proferindo sua saída do time titular.
Vão escalar quem? Por enquanto, cabe a Gustavo o papel de principal zagueiro da equipe. Algo que o técnico Vanderlei Luxemburgo ainda não percebeu. Hoje, a defesa do time é frágil e cede facilmente quando pressionada, o que ocorre principalmente nos jogos longe do Palestra Itália.
Nesse aspecto, o Grêmio, de Celso Roth, é exatamente o contrário. Tem uma defesa consistente, o que o ajuda a vencer mais partidas fora de casa. Por isso, é líder e o candidato mais preparado para levantar a taça.
Penso que o “Verdão” tem deixado de brigar pela liderança justamente por causa da fragilidade de sua defesa. Se Henrique não tivesse saído, é bem provável que a equipe estivesse na ponta ou bem mais perto dela. Sinal dos tempos.
Se colocássemos os meias do Palmeiras no elenco do São Paulo ou os zagueiros são-paulinos no plantel alviverde, teríamos, sem sombra de dúvidas, o Campeão Brasileiro. E você? O que acha? O Palmeiras é ou não concorrente na briga pelo título do Brasileirão?
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Com cara de Segunda Leandro Martins
Hoje é terça-feira, mas vou dedicar esta coluna às equipes que têm cara de Segunda. Isso mesmo, com “s” maiúsculo. De Segunda Divisão. Já que na semana passada discuti quem seria o vencedor do título de inverno do Campeonato Brasileiro, agora é o momento de escrever sobre quem freqüenta a rabeira da competição.
Convenhamos, ser derrotado em 11 de 19 partidas disputadas é coisa para poucos. Coisas que só conseguiram Fluminense e Ipatinga. A equipe mineira nunca teve grandes objetivos no certame. O maior deles, sem dúvida, é o de permanecer na elite do futebol nacional.
No entanto, realiza grande esforço no sentido contrário. Assim que conseguiu o acesso à Série A, perdeu seu técnico (na época Emerson Ávila) e vendeu muitos jogadores do elenco que conseguiu levar a equipe de Minas Gerais a ser nacionalmente conhecida. Logo, não poderia querer outra coisa senão brigar contra o rebaixamento até o fim do Brasileirão.
Já o time das Laranjeiras, que até tem elenco com razoável qualidade para reverter a situação, encontra-se mergulhado em profunda crise. Acabou de demitir seu técnico (Renato Gaúcho) e contratou um treinador que, neste campeonato, ainda não soube o que é respirar aliviado. Cuca acabou de sair do Santos, também afundado na chamada zona da degola, para assumir outra equipe com os nervos à flor da pele.
Particularmente, já vi esse filme. Em 2002, quando Palmeiras e Botafogo foram rebaixados, a frase era a mesma. O time do Parque Antarctica tinha Dodô, Marcos, Nenê (que depois jogou no Santos e hoje atua na França) e o técnico Levir Culpi.
“Com um elenco desses, você acredita que a equipe caia?”, perguntavam-me alguns amigos, perplexos só de imaginar que, efetivamente, duas equipes grandes do futebol brasileiro disputariam a Segundona no ano seguinte. E diante de sua incredulidade, palestrinos e botafoguenses não disputaram o primeiro campeonato de pontos corridos da história da competição nacional.
Outra equipes como Santos, Atlético-PR, Vasco, Náutico e Portuguesa (para mim, o Atlético-MG ainda corre por fora) ainda fazem de tudo para freqüentar o grupo do desespero (chamado por alguns colegas da crônica como o G-4 do Mal).
Destes, considero o Santos um caso perdido. A equipe não se acerta, já teve três treinadores só nessa edição do campeonato, o elenco é fraco e a diretoria não quer investir. Resultado: prepare-se, torcedor santista, para ver jogos contra Ceará, Bahia, Vila Nova, etc, em 2009. A não ser que um destes consiga o acesso.
Por fim, o Vasco completa o quadro de grandes equipes do futebol brasileiro que namoram a Série B. Sem dinheiro para contratar, endividado e sob forte pressão psicológica, não é de hoje que o time só faz figuração no Brasileirão. Desta vez, é protagonista. Polariza o noticiário esportivo com a preocupação e o desespero de seus torcedores. Com comandos fragilizados, não será surpresa se Santos, Fluminense e Vasco, caírem.
Com tantos erros administrativos dos dirigentes desses clubes, o destino cruel pode ser esse. A Série B, que ganhará muito em emoção no ano que vem, agradece.
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O título do primeiro turno Leandro Martins
Como escrevi no post anterior, esta edição do Campeonato Brasileiro promete ser a mais equilibrada de todos os tempos, desde que a fórmula de pontos corridos passou a ser adotada em 2003.
Passadas 17 rodadas, cinco equipes ainda concorrem para terminar o primeiro turno na liderança da competição. Grêmio, que lidera o certame, com 35 pontos; Cruzeiro, vice-líder, com 33; Palmeiras, terceiro e embalado, com 31; São Paulo, forte como sempre, com 30 e Vitória, mostrando que está refeito dos momentos de Terceira Divisão, com 29.
É claro que o título do primeiro turno (ou de inverno, como quiser) é apenas algo simbólico, mas que passou a ser badalado com o decorrer dos anos. Isso porque se transformou em sinal de sorte.
Desde a adoção dos pontos corridos, todos os times que terminaram o turno de inverno em primeiro lugar na classificação levaram o título nacional. Cruzeiro em 2003, Santos em 2004, Corinthians em 2005 e São Paulo em 2006 e 2007.
Além disso, com exceção de 2005 (quando o Corinthians foi líder no primeiro turno e o Internacional fez mais pontos no segundo), quem conquistou a primeira metade do Brasileirão, também foi o primeiro colocado na segunda parte da competição, em número de pontos.
Assim, não é à toa que o título de inverno ganhou um charme especial. Charme da competência, mas também da sensação de uma parte do dever cumprido e da renovação dos ânimos para alcançar o objetivo maior até o final do ano.
Mesmo com uma conquista simbólica, o torcedor fica mais satisfeito e as pressões no clube diminuem, o que permite ao treinador dar seqüência ao trabalho. Que o diga Celso Roth! Acredito que o Grêmio, pelo que tem jogado e pela tabela que tem nas duas últimas rodadas, fica com a responsabilidade de manter a escrita no returno.
Abaixo, coloco os compromissos dos envolvidos no processo, pelo menos até esta quarta-feira. Confira contra quem joga seu time nas rodadas finais e diga: para você, quem termina o primeiro turno na liderança?
Grêmio Ipatinga (Casa) Atlético-MG (Fora)
Cruzeiro Inter (Casa) Portuguesa (Fora)
Palmeiras Vitória (Casa) Botafogo (Fora)
São Paulo Fluminense (Fora) Goiás (Casa)
Vitória Palmeiras (Fora) Vasco (Casa)
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A arma 'secreta' do Palmeiras Leandro Martins
O Palmeiras ainda não “engrenou” no Campeonato Brasileiro, mas teve um ganho importante durante a campanha de 2008. Apesar de não ter mostrado sua condição de postulante ao título nacional, a equipe do Palestra Itália descobriu em seu elenco uma “arma secreta” que, de nova, não tem nada.
Pelo contrário. É um velho conhecido e habita (na acepção da palavra), o clube há mais de 15 anos. Ídolo da campanha vitoriosa na Taça Libertadores de 1999, o goleiro Marcos não só retornou ao time em grande forma, como também aprimorou-se em alguns fundamentos. Um deles (e ainda não comentado na grande imprensa) é a reposição de bola.
Conhecido por sua falta de habilidade e técnica com os pés, “São” Marcos (como é reverenciado pela torcida palmeirense) deixou de dar seus conhecidos bicos sem direção para frente (como fazia até recentemente) para ajudar ao ataque palestrino.
Marcos tem colocado a bola nos pés de meio-campistas e atacantes, em verdadeiros lançamentos precisos. Foi assim que surgiu o terceiro gol do Palmeiras no clássico contra o Santos. O goleiro lançou nos pés do jogador alviverde, que dominou e sofreu a falta que originou o gol de Leandro.
Outro quesito em que o maior ídolo palmeirense da atualidade se esmerou foi a saída de gol. Seja porque a dupla de zaga atual (Jéci e Gladstone) não inspira confiança, seja porque Marcos ficou mais corajoso, o arqueiro tem saído de baixo dos três paus com extrema precisão.
E não tem ido apenas até a marca do pênalti. Contra o Grêmio, ele foi quase até o limite da grande área em jogada de escanteio dos gaúchos. Com a renovação, Marcos aproveita para calar aqueles que sempre diziam que “ele é bom goleiro, mas não sabe sair do gol”.
Ou então: “é um goleiraço, mas não sabe jogar com os pés”. Assim, sou obrigado a escrever um velho chavão que, neste caso, cai literalmente como uma luva para “São” Marcos. Tornou-se um atleta ainda mais completo. Quanto mais velho, melhor, como um vinho italiano de excelente safra. E já que ninguém na grande imprensa percebeu isso, reservo-me o direito de colocar aqui o horário da publicação: 10h40.
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